O que é o Observatório de Práticas Inclusivas na Educação
O Observatório de Práticas Inclusivas na Educação da Rede SACI coleta, analisa e dissemina informações e, desse modo, contribui para a compreensão desta temática e para a construção de um projeto de inclusão social mais amplo.
A idéia deste Observatório se inspirou no observatório astronômico, lugar para reflexões e análises, a serem partilhadas com a sociedade. Daí termos adotado a luneta como símbolo, no nosso site.
Como funciona o Observatório?
A atuação do Observatório acontece predominantemente no espaço virtual da Rede SACI, dentro do Canal Educação. Isto permite a coleta e a disseminação de informações por todo o Brasil.
Para que o Observatório cumpra o seu papel, contamos com a Rede de Observadores Voluntários. As pessoas que compõem esta rede têm ligações com a área da Educação e perfil de multiplicadores de informação. São como “radares”, detectando informações relevantes sobre experiências de inclusão em sua região e levando a informação para suas redes de relacionamento.
A comunicação e o fluxo de informações entre a Rede SACI e a Rede de Observadores Voluntários também acontece via Internet. As informações são processadas de forma dinâmica e geram discussões virtuais, idéias, eventos, parcerias. Esta forma de funcionamento faz com que o Observatório esteja em processo de constante construção por todos os participantes.
Através desta publicação, esperamos que o conhecimento construído pelo Observatório, através da coleta de práticas de inclusão escolar espalhadas por todo território nacional, chegue até os professores e possa ajudá-los a construir a Educação Inclusiva no Brasil.
Convidamos você a fazer parte do Observatório, enviando suas experiências e discutindo com outros professores sobre o processo da inclusão nas escolas.
Este material é para você, professor
Esta publicação foi feita para você, professor, que quer saber mais sobre essa tal de Educação Inclusiva da qual você, certamente, muito tem ouvido falar. Mas afinal de contas, o que ela significa?
A Educação Inclusiva é um sistema de educação e ensino em que todos os alunos com necessidades educacionais especiais[1], incluindo os alunos com deficiência, freqüentam as escolas comuns, da rede pública ou privada, com colegas sem deficiências. Para tanto, as escolas comuns precisam prever recursos e apoio para atender às necessidades destes alunos.
Este material foi preparado para ser usado como fonte de consulta sobre como melhor ensinar alunos com deficiência. Aqui, você encontra depoimentos de professores e alunos com deficiência que enfrentaram e venceram o desafio da diversidade e ainda informações sobre materiais e equipamentos que podem ajudar seu aluno com deficiência.
Além disso, você também encontra endereços de instituições de apoio à inclusão e de sites com informações recentes e importantes sobre o assunto. Esse material pode sensibilizar colegas, alunos e funcionários a respeito das vantagens da Educação Inclusiva não apenas para a comunidade escolar, mas também para a sociedade em geral.
Não há receitas; as soluções vão sendo pesquisadas e construídas a partir de sua experiência, de observações, de conversas com familiares, especialistas e, principalmente, com o próprio aluno com deficiência. Fornecemos sugestões, indicações, material para sua reflexão.
Tudo isso acompanhado das divertidas ilustrações de Ricardo Ferraz.
Boa leitura!
[1]Segundo o Parecer CNE/CEB (Conselho Nacional de Educação/Câmara de Educação Básica) no 02/01, os educandos que apresentam necessidades educacionais especiais são aqueles que, durante o processo educacional, demonstram: a) dificuldades acentuadas de aprendizagem ou limitação no processo de desenvolvimento que dificultem o acompanhamento das atividades curriculares compreendidas em dois grupos: aquelas vinculadas a uma causa orgânica específica e aquelas relacionadas a condições, disfunções, limitações e deficiências; b) dificuldades de comunicação e sinalização diferenciadas dos demais alunos, demandando adaptações de acesso ao currículo com a utilização de linguagens e códigos aplicáveis; c) altas habilidades/superdotação, grande facilidade de aprendizagem que os levem a dominar rapidamente os conceitos, os procedimentos e as atitudes e que, por terem condições de aprofundar e enriquecer esses conteúdos, devem receber desafios suplementares.
Educação: alicerce fundamental da sociedade
Como você sabe, a escola é a primeira oportunidade que a criança tem para aprender a conviver com outras crianças fora do ambiente familiar. Além disso, a escola também precisa atingir quatro objetivos muito importantes:
• Transmitir conhecimentos;
• Formar cidadãos conscientes de seus direitos e deveres;
• Preparar para o trabalho;
• Promover o desenvolvimento pessoal.
Infelizmente, milhares de crianças, adolescentes e jovens brasileiros com deficiência não têm acesso à escola e ficam à margem da sociedade. Você, professor, pode ajudar a mudar essa história. Muitos professores, por todo o Brasil, já estão convencidos de que a Educação Inclusiva é a melhor solução para os alunos com deficiência e para toda a sociedade.
A Escola Inclusiva respeita e valoriza todos os alunos, cada um com a sua característica individual e é a base da Sociedade para Todos, que acolhe todos os cidadãos e se modifica, para garantir que os direitos de todos sejam respeitados.
Educação Inclusiva: construindo uma sociedade para todos
A Educação Inclusiva não é uma moda passageira. Ela é o resultado de muitas discussões, estudos teóricos e práticas que tiveram a participação e o apoio de organizações de pessoas com deficiência e educadores, no Brasil e no mundo. Fruto também de um contexto histórico em que se resgata a Educação como lugar do exercício da cidadania e da garantia de direitos. Isto acontece quando se preconiza, por meio da Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948), uma sociedade mais justa em que valores fundamentais são resgatados como a igualdade de direitos e o combate a qualquer forma de discriminação. Percebeu-se que as escolas estavam ferindo estes direitos, tendo em vista os altos índices de exclusão escolar; populações mais pobres, pessoas com deficiência, dentre outros, estavam sendo, cada vez mais, marginalizadas do processo educacional. A Declaração Mundial de Educação para Todos (1990), a Declaração de Salamanca (1994) e a Convenção Interamericana para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Pessoa Portadora de Deficiência (1999) são alguns dos mais importantes documentos produzidos sobre esse assunto.